18.3.09

Slumdog Bilionare | 2008


Título em Português: Quem quer ser bilionário?
Realizador: Danny Boyle

Jamal está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rupias na versão indiana do concurso “Quem quer ser milionário?”. Mas Jamal, um jovem de 18 anos, órfão, sem estudos, um simples assistente de call center não poderia alguma vez ter conhecimento suficiente para ganhar um concurso como este justamente. Foi assim que o apresentador do programa pensou, levando-o a chamar a polícia, que vai interrogar Jamal. Este explicará como adquiriu os conhecimentos necessários para acertar a cada pergunta respondida no concurso.

Começa então o filme com três narrações paralelas: a do concurso de televisão, a história da vida dele e a da esquadra da polícia (que serve de ponto de ligação entre as três, pois nesta é vista uma gravação do programa e o jovem protagonista conta a sua história).

E Jamal fala da sua infância, de como cresceu com o seu irmão Salim num bairro de lata da Índia. Órfãos, a cuidarem de si mesmo sozinhos, passaram por aventuras trágicas. Os irmãos são quase o oposto um do outro. Apesar de terem crescido juntos, optam por caminhos diferentes e ambos prezam diferentes valores e fazem diferentes escolhas, que em certa altura os vão separar. Ocasião que faz com que Jamal guarde ressentimentos pelo seu irmão durante muito tempo. Mas Salim, que muitas vezes consegue ser bastante maldoso para o irmão, é bastante protector. Tenta defendê-lo até ao fim, tentando sempre certificar-se de que este vai ficar bem.

E fala da sua procura incessante por aquele que é o amor da sua vida: Latika, uma menina que conheceu na sua infância e que nunca mais conseguiu esquecer, chegando quase a ser esta busca o propósito da sua vida. Nunca tendo estado realmente muito tempo da sua vida com ela, o amor entre ambos é principalmente idealizado. É real quase apenas pelo facto de Jamal nunca desistir de tentar encontrar Latika.

Este trio é comparado, no filme, aos Três Mosqueteiros, um livro que os irmãos começaram a ler na escola, antes de partirem e da escola acabar. Jamal e Salim são então Athos e Porthos. Latika, aos olhos de Jamal, seria o terceiro mosqueteiro. Mas eles nunca souberam o nome do terceiro mosqueteiro.

E a história continua até que as três narrações se acabam por unir.


Vi este filme mesmo antes de ganhar os 8 óscares (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Banda Sonora, Melhor Canção Original, Melhores Efeitos Sonoros) e gostei bastante. As corres, garridas, quentes, são fantásticas e a música também muito bonita, animada. A forma como a história é contada é muito engraçada e a história em si, o modo como todos aqueles acontecimentos da vida de Jamal se conjugavam, todos aqueles acontecimentos traumáticos, aquelas lembranças dolorosas o levaram a ganhar um grande prémio, achei fantástico.

O filme foi inteiramente filmado na Índia, o que lhe dá uma grande dose de realidade (Da realidade dos bairros de lata indianos), apesar de todo o romance idealista e de todas aquelas fabulosas coincidências – que não são coincidências, são o destino.

17.3.09

Der Himmel über Berlin (1987)

Título em Português: As Asas do Desejo

Realizador: Wim Wenders




Damiel e Cassiel são anjos que vagueiam invisíveis pela cidade de Berlim do pós-guerra ouvindo os pensamentos das pessoas com quem se cruzam. Para eles não existe tempo ou espaço, nem sentidos para além da visão. A sua existência é incompleta, são seres puramente espirituais, falta-lhes a dimensão mais suja da existência, falta-lhes talvez a própria existência em si... então escutam os pensamentos das pessoas, guardam-nas e alimentam-se das suas experiências.


Quando percebi de onde vinha a Cidade dos Anjos (City of Angel) (1998) tive pena de o ter visto. Foi um daqueles filmes lamechas de que até gostei, mas cuja profundidade se esgota rapidamente no amor entre um homem e uma mulher. Neste filme também essa questão está
presente: Damiel apaixona-se por uma trapezista de circo e é ela que o faz renunciar à eternidade. No entando há muitas outras questões que flutuam à volta deste tema central. Antes de tudo está: O que significa existir? O que é estar vivo?


Estes anjos mais se assemelham a fantasmas, encalhados na eternidade, a coleccionar breves instantes, flutuando sem para onde ir e sem de onde vir. Todos os planos que são observados sobre o ponto de vista de anjos são-nos mostrados a preto e branco, enquanto os planos filmados do ponto de vista de humanos nos são dados a cores e penso que isto mostra quão incompleta é a sua existência.




Há um verso que é intercalado com os momentos da acção em planos que mostram uma mão a escrever e se ouve uma voz (talvez fora de campo, talvez over, agora que percebi a diferença entre estas duas expressões nunca sei quando utilizar uma ou outra). Esse verso fala do Homem como criança, do Homem no início da vida ou no início dos tempos, desse lado mais inocente, das primeiras questões, as mais importantes e das quais nos esquecemos quotidianamente.

Gostei deste filme, (muito mais do que do primeiro filme que vi deste realizador The Million Dollar Hotel) mexe com questões que são comuns a toda a gente, mas que nem toda a gente tem coragem para assumir como suas e como sua a responsabilidade de encontrar as respostas.






“- É fantástico viver espiritualmente. Dia após dia testemunhar para a eternidade o que há de puro, de espiritual nas pessoas. Mas às vezes farto-me desta eterna existência de espírito. Nessas alturas gostaria de não pairar eternamente. Gostaria de sentir um peso que anulasse a infinidade e me segurasse à Terra. A cada passo ou a cada golpe de vento gostaria de poder dizer: "Agora, agora, agora" e não "desde sempre" ou "para todo o sempre".”

14.3.09

IndieLisboa'09




Em contagem decrescente para mais um Festival Internacional do Cinema Independente de Lisboa! Este ano o IndieLisboa, que decorrerá entre os dias 23 de Abril e 3 Maio, festeja a sua sexta edição e conta com algumas novidades.

Entre os nomes que farão parte do Júri Internacional de Longas Metragens encontra-se o Director do Festival de Cinema de Veneza, Marco Müller. Christoph Terhechte, Director do Fórum Internacional do Novo Cinema da Berlinale, a secção artisticamente mais prestigiada do Festival de Berlim é também uma presença confirmada. No que toca ao Júri Internacional de Curtas Metragens destaque para Peter Taylor, Programador de Curtas Metragens do Festival Internacional de Roterdão. Três presenças que, segundo a direcção do festival, vêm confirmar o impacto e reconhecimento internacional do IndieLisboa.

Outra importante novidade é a primeira extensão do festival, que será a Bratislava, capital eslovaca, onde serão exibidas um total de 9 curtas metragens portuguesas, na 2ª edição do Festival Internacional de Estudantes Early Melons. Outras extensões fora de portas estão previstas para este ano ainda. Liubliana, Istambul, Paris e Provincetown, nos Estados Unidos, serão as próximas cidades a receber ciclos de cinema com o carimbo do IndieLisboa 2009.

Sobre a edição deste ano podemos ainda acrescentar que os realizadores Werner Herzog e Jacques Nolot serão homenageados, sendo que ambos marcarão presença no Festival, e que o filme "Singularidades de uma rapariga loura", de Manoel de Oliveira, será exibido em antestreia nacional dias antes da estreia comercial nas salas de cinema, marcada para 30 de Abril. A sessão de antestreia, ainda sem data certa, decorrerá no cinema São Jorge, em Lisboa, e o cineasta deverá marcar presença.


Site Oficial: Indie Lisboa

6.3.09

«Era um cinema inconsciente.»

Há uma coisa que conta para mim: detesto os artistas, detesto a arte, desprezo todas essas coisas. Para mim a única coisa é esforçar-me por ser um homem.








E o que é um homem? É um ser na posição vertical que se põe em bicos de pés para se aperceber do universo.

R. Rossellini

(extraído livremente de Roberto Rossellini e o Cinema Revelador, Edição Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema)

5.3.09

Wong Kar-Wai

Wong Kar-Wai é um realizador nascido em Shangai no ano de 1958, no dia 17 de Julho, e que actualmente vive em Hong-Kong.


Já realizou alguns filmes, dos quais destaco "A Fei Zheng Chuan" (Dias Selvagens) (1991), "Chung Hing Sam Lam" (Chunking Express) (1994), "Fa Yeung Ni Wa" (Disponivel para Amar) (2000) e "My Blueberry Nights" (My Blueberry Nights - O Sabor do Amor) (2007), provavelmente o seu filme mais conhecido (que resumido pela Isabel me pareceu um remake de Chunking Express, pelo que não cheguei a ver. É verdade que sou um pouco influenciável).
(Disponível para amar)

Há algumas temáticas e símbolos que estão presentes em todos os filmes que vi dele, claro que não lhes é dado o mesmo destaque de filme para filme, mas mais ou menos subtilmente estão lá: o tempo é um tema constante, nem que seja pelos relógios que, em grande plano ou apenas como pormenor, estão sempre presentes (e Wong Kar-Wai não é senhor de deixar relógios, ou seja lá o que for, por aí ao acaso num dos seus filmes); a comida e a relação que as pessoas estabelecem, não só com esta mas umas com as outras, sendo a comida, ou os lugares onde se come, um ponto de encontro; as relações, como já disse, entre homem e mulher com todas as danças que as compõem são muitas vezes tema central, todas as relações estão rodeadas de segredos, desencontros e encontros, frágeis momentos de partilha, procura, sofrimento e mais todos os jogos que se jogam entre pessoas; os telefones, à semelhança dos relógios, são um elemento simbólico muito forte, contêm em si uma dualidade interessante: são marca de proximidade e de distância; as viagens como elemento simbólico são também relevantes, há sempre alguém que chega e alguém que parte, são viagens de procura ou de desencontro, e em cada filme a viagem tem um novo significado.



Wong Kar-Wai é um realizador muito cuidadoso, tudo o que está em cena (mise en scène) é cuidadosamente pensado, sendo os diálogos e os gestos ensaiados até à perfeição. A estrutura narrativa dos seus filmes é interessante e inovadora: acontecimentos que ocorreram em dias diferentes são mostrados como fazendo parte da mesma sequência temporal, havendo apenas alguns pormenores que nos alertam para os falsos raccords.
(Chunking Express)



(Dias Selvagens)

Há, apesar das temáticas e símbolos que se repetem, uma abordagem diferente de filme para filme e se em Chunking Express dominam os movimentos de câmara rápidos, em Disponível para Amar a câmara descreve apenas movimentos lentos com recurso ao slow-motion.


Depois de um trabalho intensivo relacionado com este realizador, confesso que estou um pouco enjoada e farta, no entanto é inegável que os seus filmes são fabulosos e penso que é impossivel vê-los apenas uma vez.

1.3.09

MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa



Começa dia 9 de Março a 8ª edição do mais antigo festival de cinema de animação de Lisboa, MONSTRA. Este prolongar-se-á até dia 15 do mesmo mês, no Cinema São Jorge e no Museu do Oriente, em Lisboa.


O festival de animação de Lisboa tem como tema principal desta edição o “Futurismo”, bem como as escolas artísticas que se lhe seguiram.


MONSTRA escolhe todos os anos um país para prestar homenagem e o de 2009 será a Suíça, sendo este e a sua cinematografia destacados ao longo do festival.


Poderemos então este ano assistir a uma Competição de Longas-Metragens de Animação, à Competição de Curtas-Metragens de estudantes e a uma Retrospectiva da Cinematografia Suíça. Será celebrado o 90º aniversário de uma das mais importantes escolas de arte do século, Bauhaus. Estão também programados vários workshops e master classes abertos a todos os interessados.


Site Oficial: MONSTRA