Realizador: Gregory Hoblit
Este será talvez mais um filme de sexta-feira à noite, de sábado à tarde ou de domingo apenas, não é tanto um filme de acção, mas talvez de drama, crime, thriller, um filme de entretenimento que no entanto toca alguns assuntos que considero importantes, como prometido está aqui o trailer:
A história é no fundo simples: uma agente do FBI, Jennifer Marsh, (Diane Lane) investiga crimes na Internet. Durante o seu turno é feita uma denúncia por telefone de um site onde é mostrado, por vídeo e em directo, a tortura e assassínio de um gato. Posteriormente a parada aumenta e os torturados passam a ser seres humanos cujo tempo de vida é encurtado à medida que mais pessoas vão acedendo ao site ("Quantos mais virem, mais depressa ela morre.”). Os alvos deste assassino são as pessoas que colaboraram para a divulgação do suicídio do seu pai, transmitido num canal de televisão e divulgado na internet, bem como os agentes envolvidos na investigação. Escusado deveria ser dizer que a agente do FBI fica encarregue de encontrar o assassino e pronto, o final é um pouco óbvio de mais…
Não digo que seja um grande filme, não é. Tem pouca profundidade e é muito restrito. Tudo nele gira à volta da Internet e da tecnologia, tem uma visão um pouco unilateral da vida e da sociedade, mas não deixa de abordar questões muito importantes: o fácil acesso a documentos privados e informações pessoais, quer por parte das autoridades, quer por parte de criminosos; a falta de controlo sobre os conteúdos presentes na Internet; a diferença entre o que é socialmente aceite e o que não é poder não ser assim tão grande; o relacionamento não saudável com a Internet; e, por fim, a que penso ser a questão principal: a exploração da violência gratuita feita pelos meios de comunicação social sendo as audiências, o público, ou seja todos nós, disso cúmplices.
O método que o assassino utiliza para matar as suas vítimas põe-nos a nós, espectadores, utilizadores da Internet, num papel activo (que de facto temos na sociedade), responsabiliza-nos pelas mortes. O espectador confunde-se com o assassino, não sendo apenas um observador que consente mas, pelo contrário, desempenhando um papel activo. Quem será mais perturbado ou mais doente? O espectador que acede ao site mesmo sabendo que isso está a provocar a morte de uma pessoa ou o assassino que coloca a pessoa naquela situação? Será que as diferenças entre a transmissão da morte do pai de Owen Reilly e o site criado por este onde é mostrada a morte das vítimas em directo são assim tantas?
É posto em evidência uma vez mais o papel activo do espectador quando o assassino comenta no seu site (onde há minutos atrás tinha mostrado um vídeo onde aparecia a filha da agente Marsh): "Pensaram mesmo que ia deixar-vos fazer mal à menina?”
A morte do assassino é bastante irónica pois momentos antes ele mesmo estava a divagar sobre isso e sobre as futuras execuções que iriam ser transmitidas em directo por 10 dólares, acabando ele mesmo por ser executado em directo e de graça, o que é de imediato comentado no site por várias pessoas: "Hoje morreu um génio...”; "Graças a Deus que ele morreu”; "Como posso descarregar este vídeo?".
Tentativa de resumo: acho que este filme tenta despertar-nos para questões importantes, responsabilizar-nos em vez de nos deixar numa posição passiva, através do exagero, de uma hipotética situação levada ao limite das suas consequências, mas não sei se conseguirá fazer-nos dar mais do que uma volta na cama.
Owen Reilly: "- Se ninguém estivesse a ver, estarias sentado dentro de água. Mas toda a gente quer ver-te morrer e nem sequer te conhecem. Está tão rápido desta vez... Deve estar a passar de boca em boca, porque te deixei ficar com o crachá."







