12.4.09

Henri Cartier-Bresson

A melhor, e talvez única, maneira de conhecer um fotógrafo é através das suas fotografias (tal como um realizador dificilmente se conhece se dele não se visionar nenhum filme). Se insistirem muito posso dizer-vos que Henri Cartier-Bresson nasceu a 22 de Agosto de 1908 e morreu a 2 de Agosto de 2004 e isto já um pouco contrariada...





Livorno, Itália, 1933





Newcastle-on-Tyne, Inglaterra, 1978





Lisboa, 1955




Sevilha, Espanha, 1933




Lavadeiras, Súzdal, U.R.S.S., 1972

Acho as suas fotografias muito tocantes, falam-nos dos movimentos de todos os dias e dos pequenos gestos quotidianos e vulgares com uma força enorme. Penso que essa força vem da intimidade presente no seu trabalho. Cartier-Bresson fotografa uma enorme diversidade de pessoas muito distantes de nós e também muito distantes umas das outras, quer pela época quer pela cultura em que estão inseridas, e mesmo assim há algo muito intenso que todas partilham umas com as outras e até connosco que observamos de longe ou talvez de não tão longe assim. Talvez seja aquilo a que chamam humanidade, os “locais que no fundo são iguais em todos nós”.

A ironia está muitas vezes presente no trabalho deste fotógrafo: o homem que conversa com o gato numa rua de Nova Iorque, as duas senhoras que caminham numa rua de Atenas por baixo da varanda de uma casa meio desfeita, o homem do qual apenas se vê uma perna e um braço a saírem de uma cela, as crianças que brincam nas ruínas de um edifício (numa das fotografias acima), o homem que observa uma paisagem na Suíça e que tem por cima da cabeça um peso ligado a um sistema de roldanas, os adolescentes aos beijos no meio das lápides...

Michael Brenson escreve, na introdução de um livro que tenho, (uma pequena compilação de algumas fotografias de Cartier-Bresson da editora Thames & Hudson) que Henri Cartier-Bresson faz questionar, com o seu trabalho, o conceito de arte como imposição de uma ordem por parte do artista. Fala das fotografias deste fotógrafo como se fossem o registo dos movimentos cegos do tempo, como se por acaso os componentes de um momento formassem uma ordem e o papel do artista fosse ter a sensibilidade para se aperceber desse momento e a técnica para o capturar.

Eu encontrei este fotógrafo por acaso, cruzámo-nos na sala, ele estava lá em cima da mesa e pumba! Acho que conheço muito pouco dele, apenas o álbum Des Européens (Europeus) e um quase nada mais. Espero ter-vos despertado a curiosidade, ou mais importante ainda, que as fotografias o tenham feito. Podem encontrar mais trabalhos deste fotógrafo no site da Magnum Photos.

“I’m after the one unique picture whose composition possesses such vigour and richness, and whose content so radiates outwards from it, that this single picture is a whole story in itself.”

H.C.B.

2 comentários:

Alexandra disse...

Eu ainda não conhecia este fotógrafo e achei estas fotografias muito bonitas.
Penso que nos falaste dele de uma maneira muito própria, muito pessoal, o que torna muito mais interessante ler este texto.
Acho que vou mesmo procurar mais deste senhor.

Gosto muito deste vosso blogue! Iniciativa interessante. Continuem o bom trabalho!

António Dias disse...

E o que acham de falarem de um artista português de vez em quando?
É só uma sugestão.