17.3.09

Der Himmel über Berlin (1987)

Título em Português: As Asas do Desejo

Realizador: Wim Wenders




Damiel e Cassiel são anjos que vagueiam invisíveis pela cidade de Berlim do pós-guerra ouvindo os pensamentos das pessoas com quem se cruzam. Para eles não existe tempo ou espaço, nem sentidos para além da visão. A sua existência é incompleta, são seres puramente espirituais, falta-lhes a dimensão mais suja da existência, falta-lhes talvez a própria existência em si... então escutam os pensamentos das pessoas, guardam-nas e alimentam-se das suas experiências.


Quando percebi de onde vinha a Cidade dos Anjos (City of Angel) (1998) tive pena de o ter visto. Foi um daqueles filmes lamechas de que até gostei, mas cuja profundidade se esgota rapidamente no amor entre um homem e uma mulher. Neste filme também essa questão está
presente: Damiel apaixona-se por uma trapezista de circo e é ela que o faz renunciar à eternidade. No entando há muitas outras questões que flutuam à volta deste tema central. Antes de tudo está: O que significa existir? O que é estar vivo?


Estes anjos mais se assemelham a fantasmas, encalhados na eternidade, a coleccionar breves instantes, flutuando sem para onde ir e sem de onde vir. Todos os planos que são observados sobre o ponto de vista de anjos são-nos mostrados a preto e branco, enquanto os planos filmados do ponto de vista de humanos nos são dados a cores e penso que isto mostra quão incompleta é a sua existência.




Há um verso que é intercalado com os momentos da acção em planos que mostram uma mão a escrever e se ouve uma voz (talvez fora de campo, talvez over, agora que percebi a diferença entre estas duas expressões nunca sei quando utilizar uma ou outra). Esse verso fala do Homem como criança, do Homem no início da vida ou no início dos tempos, desse lado mais inocente, das primeiras questões, as mais importantes e das quais nos esquecemos quotidianamente.

Gostei deste filme, (muito mais do que do primeiro filme que vi deste realizador The Million Dollar Hotel) mexe com questões que são comuns a toda a gente, mas que nem toda a gente tem coragem para assumir como suas e como sua a responsabilidade de encontrar as respostas.






“- É fantástico viver espiritualmente. Dia após dia testemunhar para a eternidade o que há de puro, de espiritual nas pessoas. Mas às vezes farto-me desta eterna existência de espírito. Nessas alturas gostaria de não pairar eternamente. Gostaria de sentir um peso que anulasse a infinidade e me segurasse à Terra. A cada passo ou a cada golpe de vento gostaria de poder dizer: "Agora, agora, agora" e não "desde sempre" ou "para todo o sempre".”

2 comentários:

Sir Viriato disse...

Quem sou eu para duvidar de uma recomendação tua. :P

No entanto parece ser uma proposta interessante. Talvez o meta aqui na listinha de filmes a ver.

Na citação acho que seria mais interessante meterem o fragmento do filme em que se diz essa frase. É mais apelativo. Mas só se conseguirem.

Um trailer, se disponível, também não é nada mau para dar uma impressão do filme, visto ser o principal método de auto-publicidade que eles têm...

Maria Nariz disse...

Obrigado pelas sugestões e por teres vindo ao nosso blog.

Acho que uma coisa é o filme e outra é o que se acha do filme.

Não gostaria de dar a ver um fragmento deste filme, acho que só faz sentido se se vir tudo. Os fragmentos integram-se num todo que lhes dá sentido. Sozinhos não valem de muito...

Foi por isso que não meti excertos.

Eu acho que os únicos trailers bonitos são os dos filmes de acção.
Basta vê-los e já nem precisas de ver o filme. Quando falar de filmes de acção meto o respectivo trailer! Ahahahah