Wong Kar-Wai é um realizador nascido em Shangai no ano de 1958, no dia 17 de Julho, e que actualmente vive em Hong-Kong.
Já realizou alguns filmes, dos quais destaco "A Fei Zheng Chuan" (Dias Selvagens) (1991), "Chung Hing Sam Lam" (Chunking Express) (1994), "Fa Yeung Ni Wa" (Disponivel para Amar) (2000) e "My Blueberry Nights" (My Blueberry Nights - O Sabor do Amor) (2007), provavelmente o seu filme mais conhecido (que resumido pela Isabel me pareceu um remake de Chunking Express, pelo que não cheguei a ver. É verdade que sou um pouco influenciável).Há algumas temáticas e símbolos que estão presentes em todos os filmes que vi dele, claro que não lhes é dado o mesmo destaque de filme para filme, mas mais ou menos subtilmente estão lá: o tempo é um tema constante, nem que seja pelos relógios que, em grande plano ou apenas como pormenor, estão sempre presentes (e Wong Kar-Wai não é senhor de deixar relógios, ou seja lá o que for, por aí ao acaso num dos seus filmes); a comida e a relação que as pessoas estabelecem, não só com esta mas umas com as outras, sendo a comida, ou os lugares onde se come, um ponto de encontro; as relações, como já disse, entre homem e mulher com todas as danças que as compõem são muitas vezes tema central, todas as relações estão rodeadas de segredos, desencontros e encontros, frágeis momentos de partilha, procura, sofrimento e mais todos os jogos que se jogam entre pessoas; os telefones, à semelhança dos relógios, são um elemento simbólico muito forte, contêm em si uma dualidade interessante: são marca de proximidade e de distância; as viagens como elemento simbólico são também relevantes, há sempre alguém que chega e alguém que parte, são viagens de procura ou de desencontro, e em cada filme a viagem tem um novo significado.
Wong Kar-Wai é um realizador muito cuidadoso, tudo o que está em cena (mise en scène) é cuidadosamente pensado, sendo os diálogos e os gestos ensaiados até à perfeição. A estrutura narrativa dos seus filmes é interessante e inovadora: acontecimentos que ocorreram em dias diferentes são mostrados como fazendo parte da mesma sequência temporal, havendo apenas alguns pormenores que nos alertam para os falsos raccords.
(Chunking Express)
Há, apesar das temáticas e símbolos que se repetem, uma abordagem diferente de filme para filme e se em Chunking Express dominam os movimentos de câmara rápidos, em Disponível para Amar a câmara descreve apenas movimentos lentos com recurso ao slow-motion.
Depois de um trabalho intensivo relacionado com este realizador, confesso que estou um pouco enjoada e farta, no entanto é inegável que os seus filmes são fabulosos e penso que é impossivel vê-los apenas uma vez.





2 comentários:
Não sou contra nem a favor, antes pelo contrário.
Gostei. Tanto da crítica ao realizador como ao filme Fa Yeung Ni Wa que foi o único que eu vi.
No entanto duvido que o volte a ver :P
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